quarta-feira, 30 de abril de 2008

O Primado Apostólico de São Pedro



Um dos pontos básicos da fé cristã católica é a autoridade máxima do apóstolo Pedro, sendo ele o fundamento visível da unidade doutrinal e apostólica da Santa Igreja Católica

Assim sendo, por esta nossa fé ser traço indistinto de catolicidade, os cismáticos e os hereges protestantes insistem em atacar o primado papal com árdua tenacidade a fim de ou rejeitá-lo ou, no mínimo, denegrí-lo a tal ponto que a ofensa cega supere a argumentação lógica historicamente fundamentada e a solidez exegética católica.

Este texto visa, antes de tudo, cumprir o pedido do apóstolo São Pedro, em sua carta, que nos diz: “Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito” (1Pe 3,15)

Iniciemos, então, nossa exposição sobre o primado apostólico de São Pedro.

1) Pedro e os Evangelhos

Façamos então uma apresentação sobre a pessoa de Simão Pedro dentro do contexto das Sagradas Escrituras, em especial nos Evangelhos.

Nos evangelhos, o Apóstolo mais citado é Simão Pedro. No evangelho de João, são 37 o número de vezes que se repete especificamente o nome do apóstolo. No evangelho de Lucas, Pedro é citado 20 vezes. Em Mateus, 26 vezes; e em Marcos, “o primeiro” dentre os apóstolos (Mt 10,2) é citado 21 vezes. Ao todo, 104 vezes aparece o nome de Pedro.

Tudo isso sem contar as passagens bíblicas em que Simão ainda não é chamado Pedro, pois as considerando, passaremos de 104 para 114. A diferença de Pedro para o “discípulo amado” (se aceitarmos que ele é o apóstolo João), contando ainda todas as outras passagens dos evangelhos, numera-se apenas 46 passagens.

Pedro tem mais do que o dobro de referências do que o “discípulo amado”, João!!! Por si só, esse fato seria válido para afirmar-se que Pedro exerceu destaque entre os discípulos. Outro ponto importante é o fato de em todas as listas apostólicas dos evangelhos sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas – o primeiro a ser citado é sempre o apóstolo Simão Pedro, filho de Jonas (conforme as listas em Mt 10,1-4; Mc 3,16-19; Lc 6,14-16).

Em quase todas as citações evangélicas, é dada a pessoa do apóstolo Pedro uma posição de proeminência, raramente encontrada com relação a outros discípulos de Jesus. Ele é chamado “o primeiro” dentre os outros apóstolos (Mt 10,2), quase sempre é o único apóstolo que trava diálogos mais diretos e relevantes com o Senhor (Jo 6, 35-69; Jo 21,12-19; Lc 5,1-10; Lc 9,18-21; Lc 18, 28-30; Mc 10, 27-31; Mc 11,20-26; Mt 14,25-29; Mt 15,11-20; Mt 16,13-19; Mt 18,21-22; Mt 19, 23-30), e ele é tratado de modo diferente pelas Sagradas Escrituras, estas que por diversas vezes deixam evidente a separação entre Simão Pedro e os outros apóstolos - diferença que até os anjos no Evangelho de Marcos não deixam de fazer (Mc 14,36-38; Mc 16,7; Mt 10,2; Mt 13,16-19; Jo 21,15-19).

Nas situações que os apóstolos necessitam de um porta-voz junto a Jesus, Pedro é quem fala por eles nos evangelhos, e quem os coordena quando é necessário (Jo 6,68; Jo 13, 21-24; Jo 20,1-6; Jo 21,12-19; Lc 8,45; Lc 9,20; Lc 12,41; Lc 18,28; Mc 9,5; Mc 10,28; Mc 11,12-14.20-21; Mc 16,7). Então, sob o prisma dos Evangelhos, nos é desonesto afirmar que Pedro foi apenas mais um dos apóstolos: muito pelo contrário, a realidade bíblica que se constata é que Pedro exerce um papel predominante e eminente diante o nascente colégio apostólico (ou seja, entre os primeiros apóstolos/discípulos).

Outra observação relevante - retiramos esta dos Cadernos de Apologética Montfort:

“Dois fatos aparentemente corriqueiros da vida de Cristo se juntam às evidências até aqui acumuladas, e dizem respeito à proximidade do mestre a Pedro. Primeiro, observa-se pelos Evangelhos que, quando Cristo se demora em Cafarnaum, é na casa de Pedro que se hospeda. "Ao sair da Sinagoga, Jesus e os que o seguiam se dirigiram à casa de Pedro e André ..." (Mc 1,29; Mt 8,14; Lc 4,38), e que mais tarde, à porta da casa (de Pedro) Jesus fazia milagres. São Marcos, em outras ocasiões, sem mencionar outra casa, diz simplesmente que o Mestre se dirigiu "à casa" e "para casa" (Mc 2,1; Mc 3,20; Mc 9,32).

É curiosa a diferença nas narrações de São Marcos e São Mateus desse mesmo episódio: este usando artigo - na casa; aquele sem o usar - em casa.

O sentido da primeira expressão é o mesmo que tem, para os franceses, o ‘chez moi’, ou seja, em minha casa. Seria um fato estranho São Marcos falar de sua casa, se não soubéssemos ter sido o evangelista discípulo de Pedro. Ao repetir o que ouviu do Apóstolo, ele utiliza a expressão de quem falava da própria casa. São Mateus fala da casa não com sentido próprio, pois falava da casa de outrem. Curioso ainda é que quando os evangelistas falam da casa de Cristo, se referindo à de Nazaré, usam ambos o artigo, evidenciando o detalhe sutil e extremamente probatório da passagem.

Portanto, o Evangelho de S. Marcos demonstra que, em Cafarnaum, Cristo se hospeda-va na casa de Pedro”.(Cadernos Montfort – “O Primado de Pedro” – www.montfort.org )

Pedro exerceu um papel de evidente importância. Papel esse que é de liderança, sendo nos Evangelhos (no mínimo) o “Embaixador dos Apóstolos” – o primeiro de muitos títulos que esse texto dará a São Pedro Apóstolo.

2) Pedro e a Comunidade Apostólica

Continuemos nessa progressiva análise do apóstolo, perguntando:

“Como a comunidade cristã concebia a pessoa de Pedro?”

“Os primeiros cristãos aceitavam Pedro como os evangélicos o vêem hoje?”

Procuremos agora compreender a figura de São Pedro no livro de atos dos Apóstolos, já reconhecendo a importante liderança que configuram os Evangelhos à sua pessoa.

Primeiro, como se é notável logo numa primeira leitura de Atos dos Apóstolos, reconhece-se que o livro enfatiza a pessoa e a missão de Paulo Apóstolo, que é citado cerca de 3 vezes mais que Pedro em todo livro. Todavia, Pedro é citado em 57 passagens, e em todas elas o apóstolo exerce uma função de liderança e governo, fato este de importância central para o crescimento da Boa Nova e das comunidades cristãs que nasciam.

E todas as passagens de Atos em que Pedro aparece, em todas elas “o primeiro” dentre os apóstolos (Mt 10,2) exerce a função que Jesus Cristo já lhe havia dado: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15-19). Pedro é o pastor visível, Cristo o invisível.

Pedro é quem toma a palavra, e convoca os irmãos a substituírem Judas Iscariotes – que havia morrido – por outro discípulo (At 1,15-22). Ele também é o primeiro a pregar, após a unção do Espírito Santo em Pentecostes, e é o primeiro a converter 3000 mil pessoas com apenas uma pregação!! (At 2,14-41). Pedro também é aquele quem preside a comunidade apostólica no exercício missionário (At 3), é ele quem preside o juízo de uma questão normativa sobre a doação pecaminosa de Ananias, declarando-os ‘anátemas’ (At 5,1-11).

É de Pedro o primeiro milagre pós-pentecostes (At 3,6-12), e dele também é a primeira advertência contra a heresia - a simonia - defendida por Simão Mago (At 8,14-24), além de ser o primeiro apóstolo depois de Cristo a ressuscitar um morto (At 9,40)! É de Simão Pedro também a autoridade de ensinar aos apóstolos de modo universal (católico) sobre novas matérias doutrinárias (At 11,5-17; At 15,7-11), sendo presidente doutrinal da Igreja.

Pedro, assim como nos evangelhos, é distinto dos apóstolos restantes em todo livro de Atos, corroborando a sua posição diferencial na comunidade cristã perante os outros discípulos (At 2,37; At 5,29; At 15,7). Também Pedro é quem viaja entre as comunidades cristãs, supervisionando e vigiando as ovelhas que o próprio Senhor lhe deu (At 9,32), cumprindo aquela profética afirmação de Jesus: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.” (Lc 22,31-32 – grifos nossos). A jurisdição maior de Pedro sobre os irmãos é bem manifesta em tudo isso que falamos!

Embaixador dos apóstolos, Pastor das ovelhas de Cristo, Diretor doutrinal da Igreja, O Primeiro dentre os apóstolos: Eis o que Pedro foi na Igreja cristã primitiva!

3) Pedro e a mudança de nome

Outro dado que coloca em evidência a singularidade petrina é a alteração do nome feita por Jesus Cristo. Simão, filho de Jonas, recebe do Senhor uma nova denominação: Pedro.

Qual o motivo para uma mudança de nome para Jesus?

Será uma coisa sem sentido feita por Jesus, só para passar o tempo?

Deus faz coisas sem sentido, ou sempre faz tudo conforme a Sua Suprema Inteligência?

É claro que Deus faz tudo conforme Sua Suprema Sabedoria, e nada que sai de Suas Mãos é obra sem finalidade. E uma das atitudes do Senhor que estão cheias de significado é a mudança de nome. Segundo “a concepção antiga, o nome não é somente uma marca de designação, mas é também aquilo que determina a sua natureza específica” (cf. Bíblia de Jerusalém - 3ª impressão 2004, nota ‘G’ relativa à mudança de nome de Abrão, pg. 54).

No Antigo Testamento há exemplos disto; mostraremos abaixo.

Quando Deus dispõe de uma criatura para dela fazer um sinal para a humanidade, Ele altera o nome desta, fazendo assim do novo nome um símbolo daquela função/missão que o Senhor escolheu para o seu servo. Vejamos agora alguns desses casos:

“Este é o pacto que faço contigo: serás o pai de uma multidão de povos. De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de povos. Tornar-te-ei extremamente fecundo, farei nascer de ti nações e terás reis por descendentes. Faço aliança contigo e com tua posteridade, uma aliança eterna, de geração em geração, para que eu seja o teu Deus e o Deus de tua posteridade. Darei a ti e a teus descendentes depois de ti a terra em que moras como peregrino, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o teu Deus.” (Gn 17,4-8)

Observem como Deus muda o nome de Abrão para Abraão para fazer uma analogia com a sua missão, que é ser “o pai de uma multidão de povos”(v.4). O nome Abraão é escolhido por ser semelhante ao hebraico “ab hamôn” que significa “pai de multidão”. Isso demonstra que o nome de Abraão foi modificado com uma finalidade específica: ser um sinal-vivo do poder de Deus, que faz de dois idosos uma multidão de descendentes.

O mesmo fato se dá com Jacó (cf. Gn 32,24-31). Quando este luta com o misterioso personagem no monte (Deus, ou um anjo), Jacó insiste-lhe que o abençoe, pois percebe o caráter sobrenatural do seu adversário. E o que é mais relevante: a bênção do adversário é intimamente ligada com a mudança de nome de Jacó para Israel, como atestam os versículos 27-29, que são o prenúncio da almejada bênção.

O nome Israel advém de “peni’El” – raiz de Fanuel, que significa “face de Deus” – que simboliza o sinal da graça de Deus sobre Jacó, pois este “lutou contra Deus e contra os homens, e tu prevaleceste” (v.29; como atesta o guerreiro misterioso); assim viu a “face de Deus”(v.31) lutando contra ele, sobreviveu e ainda foi abençoado.

Como se sabe, ninguém pode ver a face de Deus e continuar ‘vivo’ (Ex 33,20ss); mas o fato de Jacó continuar vivo após “vê-la” (isto é, após estar diante de uma manifestação indireta de Deus através de um anjo) é sinal de sua missão especial como patriarca dos hebreus, e sinal de sua predileção diante do Senhor.

Justamente como nos exemplos anteriores, a Simão filho de Jonas também é dado um nome diferente, com um significado especial! Embora a nova nomeação de Simão para Pedro possa ter ocorrido antes da passagem clássica de Mateus 16 (cf. Jo 1,42), esta só adquire a sua significação absoluta no contexto do evangelho de Mateus, pois em João a mudança de nome é jogada sem o mesmo contexto. Observemos:

“Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra).” (Jo 1,42)

“Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,17-19)

A mesma estrutura se pode observar nos três casos: Abrão, Jacó e Simão são chamados primeiro pelo nome antigo, depois pelo nome novo e por fim o Senhor lhes explica o porquê do nome novo. Confira as passagens expostas anteriormente em paralelo, e verás que correspondem entre si.

“Pedro”, palavra de origem grega que significa “pedra”, é adaptada por Mateus da palavra “Kephas”, palavra aramaica que designa “pedra”. Essa designação certamente se refere ao papel de primazia que Pedro haveria de exercer na Igreja cristã, pois ele seria a pedra designada por Cristo para estabelecer a sua Igreja aqui na terra (v.18), corroborando todas as atribuições que se tornaram manifestas pelos evangelhos, das quais expusemos algumas anteriormente.

Embaixador dos apóstolos, Pastor das ovelhas de Cristo, Diretor doutrinal da Igreja, O Primeiro dentre os apóstolos, A Pedra visível que é o sustentáculo da Igreja, Pedro!!!

4) Pedro e as evidências arqueológicas: inscrições parietais e imagens

Muito relevante também são os dados que demonstram com grande clareza como era manifesta a crença dos primeiros cristãos com relação ao Apóstolo Pedro.

Encontramos estes dados em diversos grafitos anônimos deixados sobre o túmulo de São Pedro, localizado durante as escavações arqueológicas promovidas sob a Basílica do Vaticano (Roma), que permeou as décadas de 1950, 60 e 70 da nossa era cristã. Estas foram realizadas com a supervisão do Mons. Ludwig Kaas, e com o apoio de especialistas de renome em epigrafia, como Margarita Guarducci.

Encontram, primeiramente, os indícios de reformas antigas realizadas por outros papas e escombros da antiga basílica da época do imperador romano Constantino – cuja existência já se sabia, já que a basílica vaticana havia sido iniciada em sua construção no ano de 1506, e estava sendo edificada acima da basílica constantiniana. Mas também foi descoberto um cemitério (uma necrópole feita no lugar do antigo circo de Nero, enterrada por Constantino para que se fizesse a basílica em dedicação à São Pedro) embaixo da antiga basílica, sendo que no meio deste havia um túmulo-mor. Esta tumba era o centro de vários outros túmulos, que eram dispostos de maneira mais ou menos circular em volta desse túmulo central, no qual há a inscrição “Petros Eni”, que significa “Pedro está aqui”. As inscrições todas datam entre os séculos II e III da era cristã, o que demonstra que os primeiros cristãos já tinham especial reverência pela pessoa de Pedro. Tanto acreditavam ser ali o lugar no qual Pedro estava enterrado que, ao lado da tumba do primeiro papa, uma caixa com pequenos ossos recolhidos pelos primeiros cristãos foi encontrada; eram ossos de animais, o que mostra o zelo dos crentes em guardar qualquer indício ósseo que pudera ser de São Pedro Apóstolo! Pelas condições da tumba, a inviolabilidade e autenticidade dos indícios encontrados é, de fato, segura.

Sendo assim, a tese de que Pedro foi apenas mais um apóstolo é rejeitada pelas evidências. Vejamos, para maior reforço de nossa tese, mais alguns exemplos retirados de grafitos dos cemitérios e catacumbas cristãs:

  • “Pedro, pede a Cristo Jesus pelas almas dos santos cristãos sepultados junto do teu corpo”;*
  • “Salve, Apóstolo!”;
  • “Cristo e Pedro”;
  • “Viva em Cristo e em Pedro”;
  • “Vitória a Cristo, a Maria e a Pedro”;
  • “São Pedro, São Paulo, São Félix, São Estevão, Santa Emérita”;
  • “Pedro e Paulo, intercedam por Vitória (nome da falecida)”;
  • “Pedro e Paulo, recordem-se de nós”.

*(O epitáfio é um pedido de intercessão pelos mortos, e um pedido da intercessão de São Pedro pelos mortos enterrados perto de seu corpo! Isso também demonstra que os cristãos primitivos oravam pelos dos mortos, e rogavam a intercessão dos santos.)

É também fato que as representações ilustrativas em imagens relatavam com grande profusão a figura de São Pedro Apóstolo. Ele freqüentemente era esculpido conforme vários simbolismos referentes à passagens bíblicas que testemunham o seu ministério, suas forças e fraquezas aqui na Terra (Pedro recebendo as chaves de Jesus Cristo, Pedro sentado numa cátedra lendo um pergaminho – símbolo da docência doutrinal, Cristo colocando sua mão no ombro de Pedro conferindo-lhe autoridade, Pedro fazendo água brotar de um cajado – símbolo do batismo de Cornélio, Pedro negando Jesus 3 vezes, Pedro sendo preso, Pedro crucificado de ponta-cabeça pelos romanos, Pedro como pastor do rebanho, etc). Vide no final, em anexo, algumas imagens que podem ser ilustrativos exemplos.

Embaixador dos apóstolos, Pastor das ovelhas de Cristo, Diretor doutrinal da Igreja, O Primeiro dentre os apóstolos, A Pedra visível que é o sustentáculo da Igreja, Santo e intercessor: Esse é Pedro apóstolo, o primeiro Papa.

5) Pedro, Roma e os santos padres apostólicos

Muito embora o caráter de primazia apostólica de Pedro já tenha se demonstrado biblicamente, há alguns protestantes que procuram desabonar essas evidências a partir de uma afirmação bombástica: se Pedro nunca esteve em Roma, como pode ter ele sido o primeiro bispo de Roma? Como pode ter ele sido o primeiro papa?

Ora, tal tese protestante não está de acordo com as diversas evidências históricas sobre Pedro e o primado da Igreja de Roma sobre as demais. Apresentaremos algumas evidências históricas que demonstrarão como os cristãos viam a Igreja de Roma e a cátedra de Pedro:

"A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal" (Cipriano, +258, Epístola 55,14).

"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (Orígenes, +253, cf. fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, III,1)

O mesmo Orígenes nos diz novamente: “Pedro, sobre quien se construyó la Iglesia de Cristo (...) (Comentarios de João 5,3 - J479a, 226 A.D. – texto abaixo extraído do livro 'La Fe de los Primeros Padres', de William A. Jurgens’)

"Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Irineu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).

“A Igreja foi construída sobre Pedro” (Tertuliano,+220)

"Lancemos os olhos sobre os excelentes apóstolos: Pedro foi para a glória que lhe era devida; e foi em razão da inveja e da discórdia que Paulo mostrou o preço da paciência: depois de ter ensinado a justiça ao mundo inteiro e ter atingido os confins do Ocidente, deu testemunho perante aqueles que governavam e, desta forma, deixou o mundo e foi para o lugar santo. A esses homens [...] juntou-se grande multidão de eleitos que, em conseqüência da inveja, padeceram muitos ultrajes e torturas, deixando entre nós magnífico exemplo”.(Clemente de Roma, ano 96, Carta aos Coríntios, 5,3-7; 6,1).

“Zeferino, Bispo da cidade de Roma, aos mui queridos irmãos que servem ao Senhor no Egito.

Recebemos uma grande responsabilidade do Senhor, fundador desta Santa Sé e da Igreja apostólica, e do bem-aventurado Pedro, chefe dos apóstolos: a de que possamos trabalhar com amor infatigável pela Igreja universal, que foi remida pelo Sangue de Cristo, e, assim, com autoridade apostólica, apoiar os que servem ao Senhor, bem como ajudar a todos os que vivem fielmente.” (Zeferino, +217, Epístola aos bispos do Egito)

“Roma locuta, causa finita”- Roma falou, encerrada a questão. (S. Agostinho, +430, bispo e doutor da Igreja.)

São Basílio(+379), São Atanásio(+373) e outros, diziam: ´Ubi Petrus, ibi ecclesia; ubi ecclesia, ibi Christus´ – ´Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja, está Cristo´.

"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, do ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, II,25,8)

"Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de São Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Vai à via Óstia e lá encontrareis o troféu de Paulo; vai ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro" (Gaio, ano 199)

“Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside o amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai; eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai. Àqueles que física e espiritualmente estão unidos a todos os seus mandamentos, inabalavelmente repletos da graça de Deus, purificados de toda coloração estranha, eu lhes desejo alegria pura em Jesus Cristo, nosso Deus”. (Inácio de Antioquia,+110, Carta aos Romanos*)

*Esta introdução à Igreja de Roma é diferente de todas as outras introduções, que são breves e pouco elogiosas (nas outras cartas de Inácio à Éfeso, Esmirna, Trália, Magnésia e outras, ele não exalta-as em dignidade nem em autoridade, como faz com a de Roma que, segundo Inácio mesmo, “preside” na região dos romanos e na caridade. E também em sua carta aos romanos, declara não ter ensinado nada, mas aprendido com a Igreja de Roma – “3. Nunca tiveste inveja de ninguém; ensinastes a outros. Quanto a mim, quero que permaneça firme o que ensinastes”).

Todos estes escritos corroboram a cátedra petrina, e vários destes relatos são de testemunhas oculares dos primeiros cristãos, – como o de Inácio de Antioquia – o que deixa sem sombra de dúvida a comprovação de que Pedro era bispo de Roma. Outros relatos também demonstram a mesma coisa, como a Primeira Epístola de Pedro.

São Pedro “escreve sua primeira epístola a partir de Roma, conforme atesta a maioria dos estudiosos, como bispo dessa cidade e como bispo universal (ou papa) da Igreja primitiva. "Babilônia" (1Pd 5,13) é codinome para Roma.”(cf. Dave Armstrong, do site “Mirror of Truth”).

Há também uma citação de Lactâncio em espanhol que relata não só que Pedro estava em Roma, como também já havia morrido pelas mãos de Nero. Eis o texto:

“CAP. II. Sus apóstoles eran en ese tiempo once en número, a los cuales se agregaron Matías, en el lugar de Judas el traidor, y enseguida Pablo. Después se dispersaron a través de toda la tierra a predicar el Evangelio, como el Señor el Maestro les había ordenado; y durante 25 años, y hasta los comienzos del reino del Emperador Nero, ellos se ocuparon de asentar los cimientos de la Iglesia en cada provincia y ciudad. Y mientras Nero reinaba, el Apóstol Pedro vino a Roma, y, a través del poder de Dios comprometido en él, realizó ciertos milagros, y, al volverse muchos a la verdadera religión, edificó un templo fiel y estable al Señor. Cuando Nero escuchó estas cosas, y observó que no sólo en Roma, pero en todas partes, una gran multitud se rebelaba diariamente a la adoración de ídolos, y, condenando sus caminos viejos, iban a la nueva religión, él, un odiado y pernicioso tirano, saltó adelante para arrasar el angélico templo y destruir la verdadera fe. El fué el primero en perseguir a los siervos de Dios; el crucificó a Pedro, y asesinó a Pablo: el no se escapó con impunidad, pues Dios vió la aflicción de Su gente, y por lo tanto el tirano, despojado de autoridad, y precipitado desde lo alto del imperio, de repente desapareció, e incluso el lugar de entierro de esa perniciosa bestia salvaje no se vió en ninguna parte.”( “LA MANERA POR LA CUAL LOS PERSEGUIDORES MURIERON” – Lactantius)

Dionísio de Corinto (+170), Pedro de Alexandria (+311) e São Jerônimo (347-420) também atestam que Pedro esteve em Roma, fundou ali a sua cátedra e foi morto.

A Tradição Apostólica da Igreja Católica estabelece que São Pedro ocupou sucessivamente as sedes episcopais de Jerusalém, Antioquia e Roma; mas também demonstra que nunca esteve na histórica Babilônia mesopotâmica. Há evidências que comprovam a permanência de Pedro em Roma, pois em sua primeira carta cita que permanece com Marcos na “Babilônia” (1Pe 5,13). Paulo, ao escrever de Roma a sua carta aos Colossenses, atesta também estar com Marcos - que não saiu da capital do império romano (Col 4,10). Os escritos do livro “Apocalipse” também utilizam-se da mesma definição para simbolizar Roma (Ap 14,8; 16,19; 17,5). Tudo isso corrobora a tese de que a desginação “Babilônia” seria um código para “Roma”, e que Pedro lá esteve e morreu, fundando a Igreja.

Além disto, é interessante notar que, quando os protestantes negam que Pedro tenha jamais ido à Roma para ser crucificado de cabeça para baixo, negam também a profecia de Jesus sobre a morte do santo apóstolo! Isso é completamente injustificado e incoerente.

Em verdade, Cristo disse antes de sua crucifixão: “Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus respondeu-lhe: Para onde vou, não podes seguir-me agora, mas seguir-me-ás mais tarde.”(Jo 13,36)

E depois de ordenar à Pedro fosse das ovelhas de seu rebanho(cf. Jo 21,15-17), Disse Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus.(Jo 21,18-19)

Tertuliano (+220) confirma que essas proféticas afirmações de Jesus Cristo foram todas cumpridas por Pedro em Roma, dizendo-nos: “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé*. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz(conforme Scorp. c. 15) - *(berço da fé = Roma)

Embaixador dos apóstolos, Pastor das ovelhas de Cristo, Diretor doutrinal da Igreja, O Primeiro dentre os apóstolos, A Pedra visível que é o sustentáculo da Igreja, Santo e Intercessor, Fundador da Cátedra Romana: Esse é Pedro apóstolo, o primeiro Papa!!

6) Pedro e o primado apostólico

“Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam que se envolverão em pecado e perigo não pequeno” (Clemente de Roma, +100, Carta aos Coríntios 59,1).

Por volta do ano 96, que é a mais provável data para a carta de Clemente – o terceiro papa depois de Pedro - aos Coríntios, já é visível a Suprema Jurisdição Eclesiástica do Papa na Igreja e nos seus sucessores apostólicos - ou seja, os bispos de Roma posteriores a Pedro. Mas para melhor esclarecer as possíveis dúvidas sobre o primado apostólico do Santo apóstolo Pedro, remetamo-nos à exegese católica clássica.

De todas as referências que atestam a suprema autoridade papal, a do evangelho de Mateus é a mais contundente. Vejamos novamente o que ela nos diz:

“Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,17-19)

Nesta passagem bíblica acima o primado petrino é evidente. Insisto em dizer que Pedro é pedra(v.18a), e sobre ela Jesus Cristo edificará a sua Igreja(v.18b), Igreja esta que jamais será derrubada pelas forças infernais(v.18c).

Os protestantes afirmam que a pedra sob a qual Jesus Cristo edificará a sua Igreja não é Pedro, mas sim Ele mesmo (cf. Lc 20,17; Sl 117,22; Mc 12,10; Mt 21,42), pois o termo “Petrus” e “petra”, no grego, são diferentes. Como resolver?

Porém, o texto se dirige todo a Pedro - "tu és Pedro..."; "eu te darei as chaves..."; "tudo que (tu) ligares..." - em resposta à sua confissão, como um prêmio pela sua defesa pública da fé. O texto não traz qualquer interrupção lógica, para passar a se referir a Nosso Senhor. Se assim fosse, a frase ficaria sem sentido: "tu és Pedro, mas não edificarei a minha Igreja sobre ti, senão sobre mim; as chaves do céu porém te darei." (conforme ‘O primado’ - Cadernos Montfort)

A confusão se desfaz ao concebermos como Jesus falou. Ele renomeou a Pedro em aramaico (uma língua corrente da Palestina na época), dizendo: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas(...). Por isso eu digo, tu és “Kepha”, e sobre esta “kepha” edificarei a minha Igreja.(...)”. Isso está evidente no evangelho de João, ainda no capítulo primeiro, versículo 42 (Jo 1,42). Além disto, consideremos que o grego “petra”(rocha) corresponde a “Petrus” como forma masculinizada, que assim poderia ser utilizada como nome – como Jesus queria fazer com Simão. É importante lembrar também que a diferença entre “petrus” e “petra” só existe no dialeto grego ático, e não no grego koiné usado na Palestina naquele tempo; isso mostra que “petrus” e “petra” são, na verdade, apenas declinações de gênero.

Podemos compreender também que o que foi dito corresponde com o termo aramaico “Kepha”. No aramaico: “Kepha”, significa “pedra” e “Pedro”, numa única palavra; como no francês, “Pierre” é o nome de uma pessoa e o nome do minério “pedra”. Sendo assim, toda frase se refere à pessoa do apóstolo Pedro, e não deixa margem para distorções.

De fato, Jesus Cristo é o fundamento invisível da Igreja (como foi lembrado pelos protestantes), mas Simão Pedro é o visível; assim como Jesus é o pastor invisível da Igreja, e Pedro é o visível; também no mesmo sentido em que Cristo é a Luz do mundo, e nós somos a luz do mundo. Jaime de Moura nos explica:

“Ninguém pode pôr outro fundamento. Mas o Senhor Jesus pode, livremente, confiar esse fundamento a alguém, ou ampliá-lo a quem ele quiser, como na verdade, o fez, quando disse a Simão: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18-19). Cristo, de fato se revelou: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12) mas disse também: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). E disse mais: “Eu sou o bom pastor” (Jo 10,11) no entanto, ordenou a Pedro: “Apascenta minhas ovelhas” (Jo 21,15).

Em resumo, o fundamento verdadeiro, como vimos, é Cristo. Esse fundamento, no entanto, foi como que delegado a todos os Apóstolos e profetas (Ef 2,20) pois todos são co-responsáveis. De modo especial, e solenemente, foi no entanto, entregue, estendido e confiado a Pedro, a quem Jesus falou, franca e pessoalmente, em (Mt 16,18); assim como afirmou-lhe: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus” (Mt 16,19) e ordenou-lhe, também: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15); “Confirma teus irmãos na fé” (Lc 22,32).” (texto redigido por Jaime Francisco de Moura, do site www.apologeticacatolica.cjb.net )

Outro detalhe da aclamada passagem de Mateus 16 se refere às “chaves do Céu e da Terra”(v.19a). O artigo “La primacía de Pedro”, do site espanhol www.apologetica.org, nos dá preciosas informações sobre a simbologia das chaves. Vejamos abaixo:

“Mateo 16:19: "Yo te daré las llaves del reino de los cielos." El "poder" de las llaves tiene que ver con disciplina eclesiástica y autoridad administrativa en relación a los requisitos de la fe, como en Isaías 22:22 (ver Is 9:6; Job 12:14; Rev 3:7). De este poder fluye el uso de censuras, excomunicación, absolución, disciplina bautismal, la imposición de penas y poderes legisladores. En el Antiguo Testamento, un mayordomo, o primer ministro, es un hombre que está "sobre una casa" (Gen 41:40; Gen 43:19;44:4; 1 Reyes 4:6;16:9;18:3; 2 Reyes 10:5;15:5;18:18; Isa 22:15, Isa 20-21).

Mateo 16:19: "Cuanto atares en la tierra será atado en los cielos, & y cuanto desatares en la tierra será desatado en los cielos." "Atando" y "Desatando" fueron términos técnicos ‘rabbinical’, los cuales significaban "prohibir" y "permitir" con referencia a la interpretación de la ley y, segundamente, "condenar," "ponerlo bajo censura" o "absolver." Entonces San Pedro y los papas han recibido la autoridad para determinar las reglas para la doctrina y vida, en virtud de revelación y del Espíritu guiando (ver Jn 16:13), como también para demandar obediencia de la Iglesia. "Atando y Desatando" representa los poderes legislativos y judicial del papado y los obispos. (Mt 1817-18; Jn 20:23). San Pedro, sin embargo, es el único apóstol que recibe estos poderes por su nombre y en forma particular, haciéndolo preeminente.”

Tradução nossa: ‘Mateus 16,19(a): “Eu (Jesus) te darei (Pedro) as chaves do reino dos céus”. O “poder” das chaves tem a ver com a disciplina eclesiástica e com a autoridade administrativa em relação aos requisitos da fé, como na passagem de Isaías 22,22 (veja Isa 9,6; Jó 12,14; Ap 3,7). Deste poder flui o uso de censuras, excomunhão, absolvição, disciplina batismal, imposição de penas e poderes legisladores. No antigo testamento, um mordomo, o primeiro ministro, é um homem que está “sobre (o comando de) uma casa”(Gn 41,40; Gn 43,19;44,4; I Rs 4,6;16,9;18,3; II Rs 10,5;15,5;18,18; Isa 20-21; Isa 22,15.).

Mateus 19,16(b): “Tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra será desligado nos céus”. “Ligando” e “desligando” eram termos rabínicos técnicos, os quais significavam “proibir” e “permitir”, referindo-se à interpretação da Lei e, em segundo lugar, “condenar”, “colocar sob censura” ou “absolver”. Assim, São Pedro e os papas têm recebido a autoridade para determinar as regras para a doutrina e para a vida, em virtude da Revelação e da guia do Espírito Santo (ver Jo 13,13), como também para reclamar a obediência da Igreja. “Atar” e “desatar” representam os poderes legislati-vos e judiciais do papado e do episcopado. (Mt 18, 17-18; Jo 20,13). São Pedro, contudo, é o único apóstolo que recebe estes poderes pelo seu nome e em forma particular, fazendo-o proeminente por esta razão’.

Outro ponto que podemos dissertar é a questão aberta pelo versículo 18b dessa mesma passagem de Mateus 16. Nela, o poder e a segurança da Igreja de Cristo é que “As portas do Inferno não prevalecerão contra ela”. Nessa afirmação, já há uma exclusão contra a doutrina dos protestantes e evangélicos, que insistem em nos atacar. Estes afirmam que a Igreja corrompeu-se, e desprezam a afirmação de Jesus sobre a perenidade da Igreja!

Desprezar até as palavras Cristo para atacar a Igreja Católica é o trunfo que demonstra quão falhas são as críticas levantadas contra o Primado de Pedro.

Ainda sim alguns poderão contra-argumentar, dizendo que a Igreja não tinha um papa como nós temos hoje. De fato, o papado exatamente como o conhecemos hoje foi se desenvolvendo com o transcorrer dos séculos. Todavia, o papado já era uma realidade de fé, que existia na sua autoridade e na sua primazia desde os princípios da Cristandade.

Embora algumas doutrinas de caráter pastoral ou de costume certamente tenham sido alteradas pela história, – como aconteceu com a liberação da obrigatoriedade do véu para as mulheres, ou com a proibição de cortar o cabelo – a essência da autoridade e da primazia apostólica sempre existiram, fato esse que acabamos de demonstrar.

Porque então os protestantes rejeitam a autoridade doutrinal e a primazia papal, sendo que este é um ensinamento consumado da Sagradas Escrituras? Não há lógica, nem sequer há fundamentação sólida nos argumentos heréticos/cismáticos contra o Primado de Pedro.

Embaixador dos apóstolos, Pastor das ovelhas de Cristo, Diretor doutrinal da Igreja, O Primeiro dentre os apóstolos, A Pedra visível que é o sustentáculo da Igreja, Santo e Intercessor, Fundador da Cátedra Romana, Rocha fundamental da Unidade Cristã, Portador das Chaves do Reino dos Céus: Esse é São Pedro Apóstolo, o primeiro Papa!!

7) Conclusão

Assim, esta exposição deixou bem clara a situação do primado de São Pedro, e este é autêntico e digno de fé, pois "Como meu Pai me enviou, eu(Jesus) vos envio". (Jo. 20,21) E ainda: "Quem vos ouve, a mim ouve, quem vos despreza, a mim despreza" (Lc 10,16); e mais: "quem não ouve a Igreja, seja tido por gentio e publicano" (Mt. 18,17).

Concluímos, através os capítulos deste estudo, que:

· Pedro exerceu nos evangelhos um papel de destaque e liderança;

· Pedro foi digno de ser chamado “o primeiro” dentre os apóstolos;

· Pedro manifestou sua superior autoridade sobre as primeiras comunidades;

· Pedro era o presidente das reuniões conciliares;

· Pedro é reconhecido pelos apóstolos como sendo “aquele que confirma na fé”;

· Pedro exercia sua jurisdição visitando e dirigindo as primeiras Igrejas;

· Pedro foi o único apóstolo cujo nome foi mudado solenemente;

· Pedro recebeu as Chaves do Reino dos céus;

· Pedro foi o criador da Igreja de Roma (43 d.C.aprox.) e em Roma foi martirizado;

· Pedro e seu primado são defendidos pelos primeiros cristãos;

· Pedro é semelhante ao mordomo/primeiro-ministro da morada celeste;

· Pedro recebeu da Pedra Angular que é Jesus o poder de ser fundamento da Igreja;

· Pedro foi o primeiro papa da Sagrada Tradição Apostólica, da Igreja Católica.

Assim, tendo respondido aos ataques protestantes sobre o Primado de Pedro, fixemo-nos em Cristo Jesus e na sua Santa Madre Igreja Católica, defendendo sempre a admirável doutrina católica de todo ataque que venha maliciosamente pelejar contra a Verdade Cristã.

A.B.F.

Fontes de pesquisa:

Bíblia de Jerusalém, citada acima.

Bíblia Católica v1.0, eletrônica – disponível em www.bibliacatolica.kit.net

Associação Cultural “Montfort”www.montfort.org.br

“Veritatis Splendor” (apologética) – www.veritatis.com.br

Apologética Católica (apologética) – www.apologeticacatolica.cjb.net

Apologética (Instituto Verbo Encarnado) – www.apologetica.org

Agnus Dei (apologética) – www.agnusdei.cjb.net (endereço antigo)

Universo Católico (Portal) www.universocatolico.com.br

Cléofas (apologética) www.cléofas.com.br

Ag. de informação católica “Korazym” http://www.korazym.org/news1.asp?Id=19418

“Antologia dos Santos Padres”, Cirilo Folch Gomes - O.S.B; Edições Paulinas.

“La Tumba de San Pedro e las catacumbas romanas”, vários autores, Edições B.A.C.

“Arte e Fede” - estudos de arte paleo-cristã: http://www.arteefede.com

Fraternidade Sacerdotal São Pio X - "A Prova irrefutável da Origem Apostólica da Igreja Romana" - www.fsspx-brasil.com.br/page%2006-6-reliquias-sao-Pedro.htm


PS.: Se houver outras citações não lembradas, peço perdão pelo esquecimento. Além disto, se qualquer coisa que aqui estiver escrito não concordar com a doutrina da Igreja, saibam os leitores que não é nossa intenção estar fora da comunhão com a Santa Madre Igreja, e se tal desvio for demonstrado, nós nos retrataremos de nossos erros.


ANEXOS




Anexo 1: Esquema transversal dos sítios arqueológicos encontrados pela escavação








Anexo 2: A inscrição parietal “Petros Eni”, e o “muro vermelho” – com um nicho de mármore – do qual o fragmento da pedra fazia parte. O lugar do qual pendeu o pedaço da inscrição está marcado com uma estrela








Anexo 3: Uma das representações pictóricas de Pedro e Paulo datada do século IV








Anexo 4: Fotografia da catacumba de São Sebastião, com uma oração em latim (que em português seria: “Pedro e Paulo, intercedam por Vitória”).












Anexo 5: Abaixo à direita, Jesus Cristo sentado na cátedra, ensinando. À esquerda, São Pedro, com enfoque na cabeça, exatamente na mesma posição (sentado na cátedra, ensinando) - o que demonstra através dos símbolos qual foi o ministério deixado para "o Primeiro" dentre os Apóstolos. Imagens retiradas do cemitério "Ad duas lauros", que data da metade do século III (250 d.C.)






Anexo 6: Abaixo à esquerda, seqüência de referências a São Pedro numa tumba cristã; como no Batismo de Cornélio (criando água do cajado), nas 3 negações de Cristo por ele feitas, na sua captura para o martírio, etc.

sábado, 15 de março de 2008

Serenidade

Soneto IV do História de uma Alma, do livro Luz Mediterrânea.

Feriram-te, alma simples e iludida.
Sobre os teus lábios dóceis a desgraça
Aos poucos esvaziou a sua taça
E sofreste sem trégua e sem guarida.

Entretanto, à surpresa de quem passa,
Ainda e sempre, conservas para a Vida
A flor de um idealismo, a ingênua graça
De uma grande inocência distraída.

A concha azul envolta na cilada
Das algas más, ferida entre os rochedos
Rolou nas convulsões do mar profundo;

Mas inda assim, poluída e atormentada,
Ocultando puríssimos segredos,
Guarda o sonho das pérolas no fundo.

Raul de Leoni

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pervertendo a Igreja



"Os homens da igreja, isto é, aqueles ministros ou sacerdotes de várias hierarquias e denominações, representam um setor que tem habilidade especial para comunicar-se com o povo, particularmente os trabalhadores, camponeses, e a mulher brasileira. O sacerdote que é um guerrilheiro urbano é um ingrediente poderoso na guerra revolucionária brasileira (...)"

Carlos Marighella, "Mini Manual do Guerrilheiro Urbano"



A Igreja Católica Apostólica Romana raramente foi considerada apenas uma instituição como as outras. Seu caráter específico de guia moral e espiritual de mais de um bilhão de pessoas no mundo, sua capacidade de renovação interna e perpetuação, seu aparato de doutrina e mesmo seus grandes filhos – como um São Francisco de Assis, um São Tomás de Aquino ou um Santo Agostinho só para citar os mais ilustres – dá a esta um caráter digno de atenção reverente por parte do observador, mesmo que dito seja um inimigo dela.

Foi a partindo da observação da influência da Igreja (ou mesmo da influência potencial que a mesma poderia ter sob certas circunstâncias-chave) que alguns ideólogos, homens inescrupulosos e grupos revolucionários suspiraram por usá-la como instrumento de seus objetivos privados, mesmo que os objetivos coincidissem com a própria destruição da Esposa de Cristo na Terra. Usar sua estrutura para atingir objetivos diferentes dos da Igreja, aproveitar de sua credibilidade sacra como instrumento de defesa e legitimação diante da massa, escorar-se nos templos sagrados e lugares protegidos pela lei com a maliciosa intenção de, se possível, reformar a própria estrutura da realidade...!

Sim, tudo isso já foi feito no passado, mas muito disso ainda é hoje real e efetivo, com uma malícia e ostensividade invejáveis até mesmo ao pior dos revolucionários antigos.

Cabe aos católicos, com prudência e sinceridade, encontrar os espécimes dessa praga cancerosa, que corrosivamente procura desestabilizar os alicerces da civilização destruindo um dos seus baluartes, que é o Cristianismo. Exatamente por isso, apresento-lhes uma breve exposição sobre uma das figuras-chave de um desses grupos (os revolucionários comunistas) desde longa data infiltrados na Igreja[1], o "frei Betto", cujo nome de batismo é Carlos Alberto Libânio Christo.

Este é um dos principais pseudo-católicos que, mesmo apresentado como "anjo de luz" segundo a grande mídia, deixa em tudo um inconfundível odor de hipocrisia e falsidade, bem como faz apologia de terroristas e assassinos - coisa que pretendo demonstrar. Usando da boa-fé dos mais ignorantes e da inegável influência da Igreja Católica, Betto procura apropriar-se efetivamente das diferentes estruturas de poder e administração do clero através de sua atividade intelectual, visando forjar um pretenso apoio da Igreja (e não só me refiro à Igreja enquanto 'comunidade dos fiéis', mas exatamente enquanto "doutrina e princípios salvaguardados por esta instituição") àquilo que defende com ardor: o socialismo-comunismo.

Politicamente envolvido com o socialismo, 'frei' Betto desde muito cedo participou da JUC, que por sua simbiose com a UNE na década de 60, tornou-se cada vez mais voltada para as idéias comunistas. Ajudou o terrorista[2] e assassino Carlos Marighella, junto com mais alguns dominicanos de São Paulo, inclusive tornando-se membro da ALN e participando de inúmeros crimes, dos quais pelo menos por um foi preso: assalto à mão armada (um dos meios mais utilizados pelo grupo terrorista ALN para arrecadar fundos depois dos subsídios financeiros dos comunistas cubanos).

Frei Betto agia, então, não só como um dos "representantes da Igreja" (sic!) naquele locus, mas apoiava assassinos cruéis, assaltantes (sendo ele mesmo um), terroristas; estava sempre participando ativamente da ALN como organizador das rotas de fuga internacionais para os guerrilheiros terroristas no sul do país (posteriormente, eram encaminhados para Cuba, com a finalidade de receberem treinamento militar)[3], ajudando a criar uma guerrilha rural, e por fim usando da infiltração na imprensa como meio de difusão ideológica.

Eis um daqueles que se ousa declarar servo de Cristo vivendo como Barrabás: dando apoio a assassinos, realizando assaltos, protegendo e auxiliando no treinamento de terroristas e na propaganda do regime castro-comunista de Cuba como ideal a ser implantado no Brasil. Sim, meus caros, o regime ASSASSINO que só em Cuba matou cerca de 100 mil pessoas em menos de 50 anos de ditadura totalitária. O regime vergonhoso que destrói as liberdades mais fundamentais dos seus cidadãos (criando um verdadeiro "apartheid" entre visitantes esporádicos e moradores fixos da ilha) e MATA quando, oprimidos pela ineficácia e pela coerção física, estes procuram fugir da miséria indo para outros países vizinhos[4]. O mesmo tipo de governo demoníaco que matou cerca de 40 milhões de pessoas de fome em apenas 10 anos na China. O mesmo tipo de governo que foi o pai dos campos de concentração(gulags) na Sibéria, posteriormente copiados por Hitler.

É esse tipo de "governo solidário" que queria 'frei' Betto para o Brasil...!

Filho da infame e já condenada "Teologia da Libertação"[5] (TdL), 'frei' Betto diz que é um verdadeiro cristão aquele que defende o "socialismo" como única alternativa para a "futuro"[6]. Sem pudor algum, procura defender que mantém um "diálogo"(sic) entre o cristianismo e o sistema de poder mais cruel, assassino e violento da história (o socialismo). Chega mesmo ao disparate de afirmar que não há como ser cristão sem defender o socialismo[7] e reitera que "o nome político" do amor é "socialismo"[8].

Diálogo? Não, caríssimos. Não há diálogo, há subversão da mensagem de Cristo. Há falsificação dos princípios evangélicos. Há hipocrisia e fingimento, manipulação e cinismo! São falsos pastores, como lobos em pele de cordeiros. Prova disso é a declaração que L.Boff que nos dá: "O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da teologia"[9]. É, assim, evidente que o materialismo marxista é totalmente incompatível com o cristianismo, já que defende que o espírito provém da matéria (e não o inverso, conforme ensinam os cristãos). Não há 'diálogo' possível: há princípios diametralmente excludentes entre si. A negação da transcendência espiritual é, assim essencialmente, intrínseco ao método materialista da 'TdL'.

E que "amor" seria esse? Um sistema político que diretamente matou por motivos anti-religiosos, políticos e estratégicos ao menos 100 MILHÕES de pessoas[10] é caridoso? É amoroso um sistema que preza por meios de ação totalitários, matando a quem deles deseja retirar-se? Um sistema que escraviza em campos de concentração os que ousam falar que discordam das políticas governamentais é conforme o coração de Deus?? Há o amor verdadeiro num governo que se fundamenta em ideólogos que instigam (e praticam!) a blasfêmia contra Deus e contra Cristo de modo sistemático e contínuo[11]?

Quando foi que o mal transmutou-se em bem e o bem, em mal??

Usando de um maniqueísmo barato, Betto e muitos dos seus aliados da 'TdL' procuram enganar aos cristãos, pervertendo ostensivamente as interpretações bíblicas e os exemplos de Cristo segundo a mentalidade comunista revolucionária: Cristo foi um "preso político"[12], o evangelho prega a "libertação dos pobres"[13], o socialismo é uma "etapa do reino de Deus na terra"[14], diz até que a "civilização da solidariedade é uma civilização socialista"[15], considera que todas as pessoas pobres são "privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida digna"[16]... Em suma: reza a cartilha de um agente pseudo-católico que usa da Igreja para defender sua podridão ideológica comunista pelos quatro cantos, com a desculpa de ser "pregação"(propaganda) do "reino de Deus"(comunismo).

Só a falsificação dos termos tradicionais da fé e as distorções já são prova das más intenções do frade hipócrita, bem como da credibilidade daquilo que ousa defender sob o nome de Cristianismo. Ora, Jesus Cristo não morreu como 'preso político', mas sim foi condenado por ter dito pretensas blasfêmias (cf. Mt 26,65-66; Mc 14,61-64). O Evangelho não prega a libertação dos 'pobres' de sua pobreza material, senão dos 'pobres de espírito' (cf. Mt 5,3). O Reino de Deus não é deste mundo (Jo 18,36-37), e por conseguinte é impossível que o corrupto socialismo seja parte desse reino, já que é um dos piores (provavelmente 'o' pior) sistemas de poder sócio-político que a humanidade já experimentou em todos os tempos.

Em cada texto, mais contradições saltam aos olhos. Cada interpretação, um distorção! Em todo artigo, livro ou palestra, Betto representa e finge ser um bom cristão, quando na verdade só quer transformar o cristianismo em um trampolim para a formação de socialistas e militantes políticos[17]. Seu intento é submeter o espírito apenas para os fins materiais; é colocar o relativo e o temporal como mais importante que o absoluto atemporal. É trocar Deus por latinhas...! É – invertendo a realidade – usar do Criador para buscar a criatura.

Essa idolatria essencialmente anti-cristã já existe desde longa data na pessoa do pseudo-'frei' Betto. Fato que demonstra a ausência de remorso ou arrependimento pelos seus crimes do passado, bem como dos crimes que a ALN e congêneres praticaram é que 'frei' Betto ajudou na fundação da principal associação de partidos comuno-socialistas das mais diferentes vertentes da América Latina: o Foro de São Paulo[18], associação que hoje defende desde partidos de esquerda "democrática"(sic) - PT, PPS, PSB, PCB, PDT- até grupos escancaradamente criminosos como as FARC, MST (sendo que especialmente as CEB's - instrumentos da 'TdL' da dupla Betto/Boff - foram responsáveis pela formação de 26 grandes líderes do MST, muitos deles testemunhando claramente a influência de 'frei' Betto nas suas idéias e militâncias) , MIR, ELN, o PCC[19], etc. Além disto, participou ativamente como diretor[20] da revista porta-voz do Foro de São Paulo, a "America Libre", revista que mantém a coesão ideológica e comunicação entre os grupos do Foro. Ou seja: além de dar o aval para crimes no passado, hoje também é conivente com crimes, seqüestros, assassinatos, roubos e tráfico de drogas. Um verdadeiro demônio.

O uso estratégico que 'frei' Betto faz da estrutura da Igreja contra a Igreja mesma já havia sido prenunciado por um teórico socialista, fundador do partido comunista da Itália: Antonio Gramsci. Gramsci defendia que o principal inimigo da revolução socialista no mundo é a Igreja Católica[21], por seu caráter específico de "guia do sentido comum". Compreendendo isso, Olavo de Carvalho sintetiza: "Nascido de uma aliança entre os comunistas e a esquerda católica, o PT veio imbuído do projeto gramsciano de subverter a Igreja por dentro, esvaziando-a de seu conteúdo espiritual e fazendo dela o instrumento dócil do que pode haver de mais anticristão no mundo, a revolução comunista. Se isso não é uma forma extrema de heresia messiânica, não sei em que outra classificação possa caber."[22] E reitera, citando Gramsci: "A Igreja Católica é o inimigo número um"[23].

Como o pseudo-frei dominicano, cinicamente, finge não saber que o socialismo-comunismo já foi formalmente condenado no passado por diversos papas, inclusive sendo considerado "intrinsecamente mau" (Pio XI , Divini Redemptoris), e sofrendo uma excomunhão ("Decretum Contra Communismum", do Papa Pio XII) baixada tanto para seus defensores como seus colaboradores em 1949, que vigora até hoje? Como ele pode dizer-se católico sendo admirador descarado de Gramsci, como ficou patente inúmeras vezes em seus discursos[24] e textos? Como pode ser católico e socialista ao mesmo tempo, sendo que Pio XI, na encíclica "Quadragésimo Anno" ensinou que o "socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser, ao mesmo tempo, bom católico e verdadeiro socialista”?

Simples: Betto sabe disso, mas oculta as informações relevantes ao máximo, desviando o olhar das pessoas para as teses que o mesmo deseja que os fiéis assumam no lugar do verdadeiro catolicismo. Como um agente infiltrado na Igreja, procura dividi-la para então enfraquecer a oposição ao projeto de revolução socialista que os cristãos tradicionalmente adeririam, caso houvesse coesão interna dentro do catolicismo.

Carlos A. Libânio Christo não quer ser mensageiro de Cristo; quer Cristo como meio (estratégia) para um fim (comunismo), e não como um fim em si mesmo.

Deus é instrumento para o pseudo-frei Betto - e não o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim.

Ser defensor dos traficantes, assassinos, assaltantes e seqüestradores das FARC no Brasil e seu contato de confiança no governo petista[25]? Assaltar e seqüestrar, perverter o evangelho em favor de estratégias políticas? Isso sim, 'aleluia'!

Defender a Revelação do Deus vivo encarnado em Jesus Cristo – Caminho, Verdade e Vida? De jeito nenhum, isso é coisa de reacionário direitista...!

Eis os fatos sobre o homem que apresenta o porco fedorento (segundo pontual definição de Diogo Mainardi...) Ernesto Guevara como um mártir da justiça, que seus amigos – pasmem – até transformaram em "santo popular" para enganar os católicos simples e ignorantes de Cuba![26]

Julguem vocês mesmos: que merece um indivíduo desses? Qual a credibilidade de um homem que não consegue sequer manter um pensamento coerente num artigo ou sobre um assunto, falsificando-se a si mesmo??[27] Que Deus tenha misericórdia da alma de Betto e de todos aqueles que por ele foram enganados... E que Deus nos dê coragem para manifestar a verdade contra tais asseclas da destruição.


Da hipocrisia socialista e das manobras ideológicas, livrai-nos Senhor!

"Jesus disse: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?" (Jo 18, 23)



[1] Isso não é uma afirmação pouco fundamentada, posto que há muitas comprovações de grupos que no passado estiveram infiltrados dentro da Igreja Católica. Vide, por exemplo, o livro "AA 1025 - Memórias de um anti-apóstolo", de Marie Caree (no qual conta-se o projeto "Cavalo de Tróia", com informações extraídas dos documentos encontrados junto com cadáver de um padre que morreu acidentado – na verdade, o 1025º comunista infiltrado como padre); bem como o opúsculo "Masterplan" do sr. J.Domínguez ; indícios recentes disso encontramos, por exemplo, com a auto-denúncia e pedido de renúncia do bispo Stanislaw Wielgus ao Vaticano, as declarações do pe. Michal Czajkowski; os estudos do Pe. Peter Gumpel e as denúncias do Cardeal Joseph Glemp; o artigo do ex-general soviético Ion Mihai Pacepa sobre as ações da KGB para infiltrar-se na Igreja; a lista de maçons infiltrados no clero, do jornalista Carmine Pecorelli; entre outros.

[2] Se alguém duvidar, veja as posições sobre o terrorismo que o sr. Carlos Marighella defendia e incitava neste site de tendências socialistas: http://www.dhnet.org.br/dados/livros/memoria/mundo/marigue.htm#m

[3] Discurso do próprio frei Betto - "Lutar pela implantação do socialismo até o último dia de nossas vidas": http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/freibetto/betto_socialismo.html); Para mais, vide os livros "ORVIL" e "A Verdade Sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça".

[5] 'Teologia da Libertação' é um movimento teológico que procura sintetizar num só grupo 'coeso' visões completamente divergentes: o marxismo e o cristianismo. Sua sistematicidade só veio a ser estabelecida na América Latina com o Pe. Gustavo Gutiérrez, mas sua origem e inspiração remonta meados das primeiras décadas do século XX, tanto que no Concílio Vaticano II, a influência de algumas idéias que posteriormente seriam sistematizadas como fundamentais para a Teologia da Libertação ali foram ao menos defendidas veladamente. Foi explicitamente condenada duas vezes (1984/1986) por seus excessos, dentre eles alinhamento com movimentos de guerrilha revolucionária, uso metodológico do materialismo dialético marxista e recorrente reinterpretação de dogmas católicos segundo uma ótica da heresia modernista. Evidentemente, tal 'teologia' está intimamente ligada com a infiltração comunista no clero católico.

[6] Folha de S.Paulo - 21/09/2003 - 05h21 - http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u63287.shtml

[7] Folha de S.Paulo - 21/09/2003 - 05h21 -http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u63287.shtml

[8] Cuba: Esperanza Socialista - 08/02/08 - http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=ES&cod=31579

[9] Jornal do Brasil - 06/04/1980 - (in: Revista "Catolicismo", n.° 421, Janeiro de 1986)

[10] Vide pesquisa do Prof. R.J.Rummel - http://www.hawaii.edu/powerkills/welcome.html

[11] Vide livro do pastor Richard Wurmbrand: "Torturado por amor a Cristo"; várias editoras.

[12] Frei Betto - 26/06/2001 - Palestra: "A Crise de modernidade e espiritualidade"; ver também artigo "Fé e Política", presente no link abaixo - http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=8030

[13] Frei Betto - Artigo: "Democracia e Poder".

[14] Cf. Dr. Plíno C. de Oliveira - livro "As CEBs... das quais muito se fala e pouco se sabe", pp.158, 147 e 162

[15] Frei Betto - Artigo: "Valores de uma nova civilização".

[16] Frei Betto - Artigo: "Dez conselhos para os militantes de esquerda".

[17] Seu "companheiro" Genésio (vulgo 'Leonardo') Boff disse sobre a TdL: "(...) Nós não estamos interessados em que haja mais cristãos, estamos interessados em que haja mais cidadãos participativos, sensíveis, justos, lutadores pela libertação dos seres humanos, e o cristianismo como uma fonte geradora de pessoas assim." (entrevista à Radiobras, 01/12/2003). E também: "É preciso dizer claro e vigoroso: a libertação é a emancipação social dos oprimidos. Trata-se concretamente para nós de superar o sistema capitalista em direção a uma nova sociedade de tipo socialista" (L e C. Boff, livro - "Da Libertação", p. 113). Coroando tais citações, termino com esta: "O Reino de Deus é concretamente o socialismo" (Idem, p. 96)

[18] Cf. Anatoli Oliynik - http://www.samauma.com.br/samauma/ao005forosp.htm ; Cf. Alejandro Penã Esclusa - http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=145

[19] PCC – Partido Comunista Cubano, responsável pelas mortes do regime totalitário de Cuba.

[20] Vide: http://www.nodo50.org/americalibre/anteriores/21/betto21.htm

[21] Carlos Azambuja - artigo "O Pensamento de Gramsci" - 28 de abril de 2005:
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3596

[22] Olavo de Carvalho - "PT, o partido dos ricos" - http://www.olavodecarvalho.org/semana/080121dc.html

[23] Olavo de Carvalho - artigo disponível no link - http://www.olavodecarvalho.org/semana/srmarques.htm

[24] Como o do 5º Fórum Social Mundial, no qual pediu uma salva de palmas para Marx e declarou que "estamos (nós = PT e cúpula socialista da qual fez parte) no governo, mas não no poder" – referindo-se ao clássico conceito gramsciano de hegemonia aplicado à realidade brasileira.

[25] Um dos chefes máximos das FARC, “Raul Reyes” (Luiz Antonio Devia), declarou em entrevista à Folha de S. Paulo de 27 de agosto de 2003: As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais. Folha: O senhor pode nomear as mais importantes? Reyes: Bem, o PT e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas”. Folha: “Quais intelectuais?” Reyes: “Emir Sader, frei Betto e muitos outros”. (vide: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3290)

[26] Ridículo - mas necessário - ler isso: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2247

[27]www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=polemicas&artigo=20050910185851&lang=bra ; Também vide a incoerência contraditória de Betto sobre a pena de morte no artigo "Pena de Morte" comparado com o livro "Nos Bastidores do Socialismo". Verifiquem as datas das declarações e sorriam...